Como começar a mudar um ambiente insalubre de trabalho.

“Imagine que vocês acabaram de receber uma informação negativa a meu respeito, pouco antes desta palestra. Talvez quem lhes deu essa informação ouviu rumores a meu respeito, rumores de que eu sou incompetente, de que eu sou mentiroso, de que gosto de me gabar (…)

Tradutor: Leonardo Silva Revisor: Ruy Lopes Pereira
“Imagine que vocês acabaram de receber uma informação negativa a meu respeito, pouco antes desta palestra. Talvez quem lhes deu essa informação ouviu rumores a meu respeito, rumores de que eu sou incompetente, de que eu sou mentiroso, de que gosto de me gabar, de que uso roupa íntima feminina… (Risos)
Quanto vocês acham que isso influenciaria a imagem que vocês teriam de mim agora?
Como psicoterapeuta, trabalhando com saúde ocupacional, conheci inúmeros funcionários e gestores que estão sofrendo por conta de um ambiente de trabalho tóxico e prejudicial. Estão com problemas porque não sabem como mudar esse ambiente. Precisam de ajuda de fora. Já tentei ajudá-los e falhei, várias e várias vezes.
Tentei a abordagem de solução de conflitos, discussões em grupo, entrevistas individuais, capacitação de gestores e, em todas as vezes, não consegui mudar esse ambiente de trabalho insalubre. Então… Dez anos atrás, comecei a fazer uma pequena pesquisa por conta própria. Eu queria entender por que é tão difícil mudar e descobri que muitos funcionários e gestores falavam de forma negativa a respeito de seus colegas
quando estes não estavam presentes; a famosa “maledicência”.
Maledicência é falar negativamente a respeito de alguém que não está presente. Tenho uma pergunta pra vocês.
Por favor, levante a mão se você acha que a maledicência ocorre no seu local de trabalho ou de estudo.
Por favor, levante a mão.
Uau! Certo. Muito obrigado.
Acho que mais ou menos 90% de vocês levantaram a mão.
Na Grécia antiga, o grande filósofo Sócrates encontrou um conhecido na rua, e o conhecido disse:
“Oi, Sócrates. Já soube da notícia sobre aquele seu amigo?”
E Sócrates disse: “Não, mas, antes que você me conte, vou fazer um pequeno teste com você. Chama-se teste dos três filtros”.
“Teste dos três filtros?”, ele respondeu. “Tudo bem.”
“Primeira pergunta:
O que você vai me contar sobre o meu amigo é verdade?”
“Bem… Foi o que me contaram. Não sei.”
“Certo. Você ainda pode passar no teste. Segunda pergunta: o que você vai me contar sobre o meu amigo é coisa boa?”
“Ah, não. Pelo contrário”, respondeu. “Não é nada bom.”
“Certo. Você ainda pode passar no teste. A terceira pergunta: o que você vai me contar é útil?”
“Ah, não. Não é útil.”
“Certo”, disse Sócrates. “Primeiro, você não sabe se é verdade. Segundo, não é coisa boa. Terceiro, não é coisa útil. Então, pra que me contar?”
Sabem quem faz maledicência em nossa sociedade hoje em dia?
Isso mesmo. As mulheres. (Risos) São as mulheres. (Risos)
Mas também é outro grande grupo: os homens. (Risos)
Mas por que fazemos isso?
Quando eu falo mal de uma pessoa, tenho a sensação de que sou melhor, enquanto a denigro. Além disso, pareço ser interessante porque sei algo que você não sabe. É assim que nós, adultos, assediamos uns aos outros.
Tenho uma segunda pergunta pra vocês. Por favor, levante a mão se você quer trabalhar num lugar onde ninguém fale mal de ninguém. Sem fofocas. Certo. Muito obrigado. Interessante, né?
Como acabar de vez com a maledicência?
Fiz uma coisa genial na minha vida. (Risos) Acho que é essa aqui.
Chamo de “Fofoca 2016”, e vou explicar como todos podem aplicá-la no ambiente de trabalho, se quiserem.
Primeiro, junte um grupo. Talvez não tão grande quanto vocês na plateia.
Segundo, faça a primeira pergunta:
“Você acha que aqui as pessoas falam mal das outras?”
Eles vão levantar a mão.
Terceiro, é preciso definir o que é maledicência.
Use o teste dos três filtros. Ele é bom, né?
Quarto, faça a segunda pergunta:
“Você gostaria de trabalhar num lugar onde não houvesse maledicência?”
Eles vão levantar a mão.
Aí, você pega um bom e velho quadro de anotações escreve “Fofoca 2016” em caixa alta e pergunta ao seu grupo se eles querem participar de um projeto com duração de seis meses: “Aqui Não Tem Maledicência“.
Eles têm que assinar. Isso vai fazer com que se comprometam. Depois de assinarem, você coloca numa moldura, pendura numa parede onde todos possam ver e, toda semana, durante seis meses, você pergunta ao grupo: “Como anda o projeto Fofoca 2016?” Pode parecer simples, talvez bobo.
Bom demais pra ser verdade, né?
Mas funciona! Eu garanto!
E eu tenho mais de… Não “eu tenho”, mas são mais de 250 CEOs, de diferentes empresas, que podem comprovar isso.
Funciona.
Eles também podem comprovar que absenteísmo e licenças médicas diminuem, as “panelinhas” também, e a produtividade tem aumentado.
Levando esse conceito um pouco além, todos já ouviram a respeito dos debates sobre como jovens e crianças têm sido vítimas de “bullying” nas escolas e nas redes sociais.
Acho que eu, como adulto, tenho a responsabilidade de dar um bom exemplo. Preciso parar de falar de forma negativa a respeito do meu tio, do meu vizinho, do meu colega, da minha sogra, durante o jantar na minha casa, porque, se eu não fizer isso, estarei ensinando aos meus filhos que é normal falar mal de uma pessoa que não está presente.
Uma nova consciência traz comprometimento.
Muito obrigado pela atenção.

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